O OURIVES INQUIETO: “OURO DE TOLO” NA METAMORFOSE RAUL

O artigo do Prof. Dr. Ravel Giordano Paz realiza uma análise melopoética da canção “Ouro de tolo”, de Raul Seixas, buscando avaliar a coerência interna de seus elementos temáticos e formais no âmbito dos impasses existenciais e ideológicos que alimentaram a vida e a obra do cantor e compositor brasileiro. Com esse objetivo, esboça uma aproximação com outras canções de Raul, principalmente “Metamorfose ambulante”, valendo-se ainda de diversos elementos apresentados no documentário Raul: o início, o fim e o meio, de Walter Carvalho. Download

Domínio Público

A dissertação de mestrado Novo Aeon: Raul Seixas no torvelinho de seu tempo, defendida em 21 de agosto de 2009 no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Espírito, está disponível para download gratuito no Portal Domínio Público. Baixe, leia e, se gostar, recomende aos amigos. Se achar queo texto merece uma releitura, adquira o livro Novo Aeon: Raul Seixas no torvelinho de seu tempo (Editora Multifoco, 2010) que oferece uma versão revisada e atualizada da dissertação, além de contar com prefácios dos professores Sérgio da Fonseca Amaral e Wilberth Salgueiro.

Resumo: O assunto que nos convida e reúne a pensar é a concepção de Novo Aeon apresentada pelo compositor Raul Seixas, refletindo sobre sua constituição histórica, seus valores e conseqüências para a sociedade pós-moderna. Elaborada pelo escritor inglês Aleister Crowley no início do século XX, esta doutrina impulsionou trajetórias existenciais de grande força contestatória, influenciando a contracultura das décadas de 1960 e 1970. Raul Seixas, que acompanhou o movimento, fez de sua criação poética o espírito de seu tempo. Nesse sentido, nosso objetivo geral é compreender o que é o Novo Aeon, revelando sua interseção com o pósmodernismo, tal como pensado por Fredric Jameson. Como objetivos específicos, propomos compreender as concepções de Velho Aeon e modernidade em suas relações com os conceitos supracitados. Nesse diálogo com Seixas, nos dedicamos a ver em sua obra ressonâncias das questões que animaram seu tempo: ocultismo, desbunde, indústria cultural, autoritarismo, censura, niilismo e melancolia.

Baixe aqui.

Raul Seixas: um livro em alto e bom som

Entender arte e história não é tão tranquilo quanto pode, para alguns, parecer. Se o artista em foco é RAUL SEIXAS, mais ainda surpreendemo-nos os leitores, porque o estereótipo criado em torno da figura do soteropolitano gira sobre termos como maluco beleza, doidão, anarquista, viajandão etc. Por contaminação, aos fãs e tietes do cantor e compositor se colam, com frequência, semelhantes epítetos. Por extensão, o olhar prévio (inevitável) que se lança a um estudo sobre RAUL SEIXAS já sai impregnado com uma expectativa: a de ser o tal estudo uma proposta de adesão, não de reflexão. De todo este clichê, o livro “Novo Aeon: Raul Seixas no torvelinho de seu tempo”, de Vitor Cei Santos, escapa.

Resultado da pesquisa de mestrado do autor, a obra aborda a concepção de Novo Aeon apresentada por RAUL SEIXAS em suas músicas. A doutrina do Novo Aeon, elaborada pelo poeta e mago inglês Aleister Crowley no início do século XX, impulsionou trajetórias existenciais de grande força contestatória, influenciando a contracultura das décadas de 1960 e 1970. Seixas, que acompanhou o movimento e propôs uma Sociedade Alternativa, lançou sua música à condição de espírito do seu tempo.

Por meio de conceitos teóricos, o livro ajuda a compreender a música de RAUL SEIXAS à luz da multiplicidade de problemas que formam a experiência cultural brasileira. O autor, através de sua interpretação e o entrelaçamento de discussões com teóricos fundamentais para a compreensão do tema, apresenta uma análise das questões que animaram as décadas de 1970 e 80: autoritarismo, censura, desbunde, contracultura, ocultismo, indústria cultural, melancolia e niilismo.

Título: Novo Aeon – Raul Seixas no torvelinho de seu tempo
Autor: Vitor Cei Santos
Editora: Multifoco
Páginas: 224
Preço: R$ 30,00 (em média)

Por que eu quero ganhar um exemplar do livro #NovoAeon: #RaulSeixas no torvelinho de seu tempo?

Taynã Gonçalves
@taynangoncalves Taynã Gonçalves

#NovoAeon Porque aprender um pouco mais sobre Raulzito, nunca é de mais!!! #Cultura
Taynã Gonçalves
@taynangoncalves Taynã Gonçalves 

#NovoAeon Porque sou Fã, e chega de clichê sobre Raulzito!!!
________________________________________________________________________________
Professor Adail
@Professor_adail Professor Adail 

Você Deveria presentear o professor com este livro.Poderia muito bem divulgar nas escolas.
________________________________________________________________________________
Subindo no Caixote
@Subindo_Caixote Subindo no Caixote 

#NovoAeon é um livro que dá asas às suas idéias! Eu quero ler e subir no caixote! #TocaRaul
________________________________________________________________________________
Taynã Gonçalves
@taynangoncalves Taynã Gonçalves
#NovoAeon Não escrevi o meu ainda, mas quero o do Guru!!!
________________________________________________________________________________
Bruna Moraes
@bumoraes Bruna Moraes
Quero ganhar o livro #NovoAeon pq Raul é peça fundamental na minha iniciação aos conhecimentos da Nova Era.
________________________________________________________________________________
Amanda Cei
@esquizobijus Amanda Cei
Não vou concorrer pq né, ganhar sorteio do irmão vai parecer marmelada. Então, aproveitem aí! ##troqueoBBBporumLivrohttp://bit.ly/gPw7Rv
________________________________________________________________________________
Mª Verônica Silva
@veronic_silva Mª Verônica Silva
Estou ‘Tentando outra vez’: O livro #NovoAeon do Prof. @Vitor_Ceiserá sorteado no dia 23/01… Dia do meu aniversário! Que presente seria!
________________________________________________________________________________
Taynã Gonçalves
@taynangoncalves Taynã Gonçalves 

#NovoAeon Quero ganhar porque sou Raulseixista e não desisto NUNCA!!!
________________________________________________________________________________
PRISCILA PERIM
@PRISTP PRISCILA PERIM 

Eu troco: eu mando um livro e, em troca, eles me mandam o Rodrigão!
________________________________________________________________________________
Jomar Brittes
@jomarkarrasco Jomar Brittes
Eu quero mesmo é ganhar o #NovoAeon , porque dentro do livro e da consciência está o segredo do universo. (agora ta certo)
________________________________________________________________________________
Mª Verônica Silva
veronic_silva Mª Verônica Silva 

@É incrível observar que pra onde vou e tem uma banda tocando sempre tem alguém pra gritar ‘Toca Raul’. Quem gosta pede! Quero ler #NovoAeon!
________________________________________________________________________________
Tukano666  Lucas
@Tukano666 Tukano666 Lucas
Vitor_Cei quero ganahr o #NovoAeon #RaulSeixas pq a semente que ele ajudou a plantar ja nasceu, e ca estamos nos, cultivando-a
________________________________________________________________________________
Ivan Lacerda
@Ivanlacerda Ivan Lacerda
@Vitor_Cei acabei de dar um check-up geral na situação o que me fez querer ler #novoaeon e se ganhar o livro vou dormir quase em paz. abs.
________________________________________________________________________________
David G. Borges
@BadlyTempered David G. Borges
Quero o livro pq a primeira música que aprendi a cantar quando criança foi “O Carimbador Maluco”, e só quando adulto a entendi.
________________________________________________________________________________
Jomar Brittes
@jomarkarrasco Jomar Brittes
Eu quero mesmo é ganhar o #NovoAeon , porque dentro do livro e da coinsciência está o segredo do universo.
________________________________________________________________________________
David G. Borges
@BadlyTempered David G. Borges 

Mais motivos! Tá vendo? Mereço o livro. Outro bom motivo: te conheço há algum tempo e nunca li nada seu (nem lista de mercado).
_______________________________________________________________________________
LirioGuterra
@lirioguterra LirioGuterra 

Eu quero o livro porque vou ter Raul Seixas.
________________________________________________________________________________
Marlos Araújo
@MrMarlos Marlos Araújo 

Sem enfeite! Quero ganhar o #NovoAeon porque eu sou muito fã do Raul Seixas e ponto! #
________________________________________________________________________________
JC
@quotactions JC 

Minha vontade é ganhar o livro #NovoAeon para ler no Trem das 7. (E pra descobrir o que diabo é “torvelinho”).
________________________________________________________________________________
David G. Borges
@BadlyTempered David G. Borges
E isso não foi uma crítica, apesar do que pode parecer à primeira vista.
David G. Borges
BadlyTempered David G. Borges
Eu quero ganhar seu livro para entender como uma dissertação de mestrado sobre Raul Seixas foi aceita! Pode ser?
________________________________________________________________________________
Marlos Araújo
@MrMarlos Marlos Araújo 

Quero ganhar o #NovoAeon porque não basta idealizar o mundo dos meus sonhos, preciso tocá-lo e vivê-lo. #
________________________________________________________________________________
Clara Marinho ®
@ClaraMarinho_ Clara Marinho ®
@Vitor_Cei de tudo no currículo prefiro: Autor de Novo Aeon

Comentário de Gustavo Macaco

Meu velho… demais seu livro!! Já havia lido vários e esse tem realmente uma abordagem mais acadêmica e em cima de conceitos que abarcam um momento político, social, histórico e cognitivo. Lógico que teve coisas que queria poder conversar com você só pra questionar as “questões da academia” ahahahahaha!!! mas achei o todo muito bom mesmo!! Parabéns pela empreitada e vamos nos falar!!

Gustavo Macaco

Do monstro SIST e arredores

Com este livro, escrito inicialmente para uma dissertação de mestrado, na Universidade Federal do Espírito Santo, Vitor Cei Santos apresenta um estudo instigante e intrigante sobre um dos mais polêmicos músicos na década de 70, no Brasil. O trabalho desenrola um fio cheio de nós o qual poderia não apontar a saída do labirinto histórico, artístico, político, cultural e biográfico no qual se embrenhou. Pois o resultado apresentado demonstra uma solução muito bem resolvida da situação. Primeiro, consegue destacar o músico e suas canções tanto no contexto no qual estava inserido, como ressaltar sua proposta de transformação voltada para aspectos místicos e alternativos em relação ao embate dominante do período; segundo, por perseguir um método que não perde de vista a transição sócio-político-econômica brasileira para uma pós-modernidade que se anunciava.

Houve um tempo no Brasil, especificamente o final da década de 60 e toda a de 70, que todas as discussões encaminhavam-se para polarizações acaloradas diante da circunstância política em que o país vivia. Estávamos sob o tacão da ditadura militar, portanto nada mais natural que assim o fosse. Todos eram chamados, ou constrangidos, em qualquer debate ­– do botequim ao congresso nacional –, a tomar partido sobre a situação existente. Isso não significava, necessariamente, posicionar-se na prática efetiva da luta política partidária, mas, mesmo nos assuntos mais gerais, demarcar uma linha imaginária entre o que corroborava o regime vigente e a oposição a ele. Diante disso, a produção cultural do país não poderia passar incólume às pressões vindas de todas as partes envolvidas no processo: dos produtores aos receptores.

Então vivíamos uma situação paradoxal: o país finalmente deslanchava a sua indústria cultural de massa por ter construído e sistematizado um parque hegemonicamente explorado pela televisão, em grande parte fomentado pelos governos da ditadura militar. A televisão, na década de 70, assume o espaço outrora ocupado pelo rádio. Com isso, a indústria fonográfica também expande-se e uma nova geração de músicos ocupa o cenário dentro dos vários ritmos que consolidam a audiência: notadamente, a Jovem Guarda, a MPB, a música chamada brega e o rock. Paradoxal porque, se de um lado a ditadura incentivava e implementava técnica e tecnologicamente tal parque, por outro censurava uma boa parcela de sua produção realizada pelos artistas envolvidos no processo de criação. Nem a chamada música brega escapou da tesoura dos censores. A censura alegava motivos de ordem moral e antissubversiva para vetar certas obras, porém, evidentemente, a atenção era voltada para qualquer palavra que pusesse sob suspeita o governo instalado. Nesse quadro, fervilharam os festivais que impulsionaram carreiras como as de Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso.

O Tropicalismo, movimento surgido para repensar a cultura nacional num contexto prenunciador do que hoje se chama globalização, afirma-se como uma vertente estético-cultural consciente da necessidade de modernizar e inserir definitivamente o país numa massificação que escapasse às fronteiras do nacionalismo caricato. Assim, o palco musical transformou-se, ele também, num campo de batalha ideológico com partidários de tais e tais músicos ou músicas. Concomitantemente, existia o movimento jovem em escala planetária, pelo menos da banda ocidental. Tais injunções não podiam deixar de reverberar no país, e, como expressão político-ideológico-existencial, os artistas da música ganharam uma notoriedade além de suas atribuições de músicos: uns viram-se transformados em gurus para uma nova ordem social. Se, de um lado, havia uma devoção, quase religiosa, de outro, a racionalidade técnica comandava o espetáculo, o show business e a organização empresarial sobre o apelo estético. Em tal imbricação curiosa floresceu uma massa de jovens ansiosos por transformação social, embebidos em canções e em rock’n’roll. Desbundando-se, ou engajando-se, muitos elegeram músicos como ídolos para verdadeiras adorações. Acreditava-se que, pela música, uma revolução seria possível, pois, segundo um jargão da época, conscientizaria as massas. Em tal conjuntura é de se esperar que os ânimos se acirrassem, por vezes. Como exemplo, lembremos a vaia recebida por Caetano num dos festivais e o seu famoso desabafo; o incensamento de Geraldo Vandré e de sua canção, transformada em hino contra a ditadura militar. Por outras bandas, para tocar a vida, simplesmente, havia a música brega e suas enxurradas de amores fracassados e doridos, levando à comoção um público refém de um romantismo residual, porém ainda dominante no imaginário estandardizado.

Resumidamente, a configuração do período apresentava o quadro descrito acima. Assim, é compreensível que opções estético-políticas fossem feitas, defendidas e vividas por grupos sociais que se conflitavam num país violentamente silenciado. Contudo, deve-se tentar entender o período sem render-se a suas próprias crenças: todas as posições configuravam-se políticas, mesmo que algumas se autodeclarassem apolíticas. As escolhas não deixavam, e não podiam deixar, de representar um determinado ponto de vista social a se relacionar (comensal, simbiótica ou parasitariamente) com o poder hegemônico.

Isso posto, o trabalho de Vitor procura dar conta de uma forma artística que se posicionava de uma maneira lateral diante da lógica dominante: pois, mesmo grupos politicamente opostos podem participar de um mesmo entendimento de mundo, como a apreensão moderna ético-moral do trabalho, por exemplo. Por isso, do autor estudado, Raul Seixas, não se pode dizer que era conformado à situação vigente, embora jogasse a energia inconformada para limites críticos além e aquém, concomitantemente, das necessidades factuais no enfrentamento direto à ditadura. Lendo a história metadiscursivamente, o ator/músico enxergava o momento como pronto a se estabelecer o Novo Aeon (a Sociedade Alternativa, em contraposição ao Velho Aeon), ou seja, uma era de liberdade não apenas econômica e política, mas, sobretudo, existencial, plenificadora e realizadora das potencialidades individuais. Pelo menos assim acreditavam milhares de jovens em todo o mundo ocidental.

Como se percebe pelo trabalho de Vitor, as letras cantadas por Raul Seixas podem ser lidas, em termos de combate, em duas frentes: uma localizada (contra uma ordem específica) e outra ampliada, na qual a mensuração do que é ser humano ainda estava em jogo. Afinal, o monstro SIST – o capitalismo e sua reconfiguração pós-moderna (para falar com Jameson) – encontrava, facilitado pela ditadura, as portas do país abertas para se instalar sem rebuços.

O leitor encontrará no texto de Vitor uma elaborada e intrincada análise de um músico com sua época; de um músico agonístico, engajado na busca de transformar a percepção apostando em métodos por vezes pouco ortodoxos. Assim, o trabalho faz circunvolução em torno de um artista, mas, ao fazer isso, perscruta um país, uma época e um mundo em formação.

Prefácio do livro

por Prof. Dr. Sérgio da Fonseca Amaral

Programa de Pós-Graduação em Letras

Universidade Federal do Espírito Santo

Livro resgata espírito crítico de Raul Seixas

por Tatiana Wuo  – twuo@redegazeta.com.br

Se estivesse vivo, Raul Seixas completaria hoje 65 anos de vida. Nascido em Salvador, o cantor, compositor com mais de 20 discos lançados, filósofo, maluco beleza e crítico afiado da sociedade brasileira deixou marcas profundas na cultura nacional. Por isso, é capaz, até hoje, de mobilizar fãs em todo o Brasil, mais de 20 anos após sua morte (em 21 de agosto de 1989, dia em foi encontrado morto em sua cama por conta de uma pancreatite aguda, causada pelo excesso de bebida).

“Fico impressionado como ele consegue mobilizar e cativar fãs de todos os lugares. No dia do seu aniversário, acontecem vários eventos, homenagens e tributos. Ninguém esquece. Para mim, é um fenômeno singular e único. Apesar de ter sido marginalizado, é o rei do rock brasileiro”, afirma Vitor Cei Santos, professor de Filosofia da Faculdade Nacional (Finac) e do Núcleo de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Espírito Santo (Nead/Ufes), que está lançando o livro “Novo Aeon: Raul Seixas no Torvelinho de seu Tempo”.

Com origem na dissertação de mestrado do autor, o livro que chega ao mercado pela editora carioca Multifoco aborda a concepção de Novo Aeon (doutrina elaborada pelo poeta e mago inglês Aleister Crowley no início do século XX, que impulsionou trajetórias de grande força contestatória, influenciando a contracultura das décadas de 1960 e 1970), nas músicas de Raulzito – que criou, baseado nela, a ideia de Sociedade Alternativa e que lhe rendeu um disco chamado “Novo Aeon”, lançado em 1975.

Cei faz então uma análise das letras de canções como “Meu Amigo Pedro”, “S.O.S.”, “Metamorfose Ambulante”, “Eu sou Egoísta” e “Sapato 36”, em contraponto com o trabalho feito por Raul na década de 80, quando resolveu mudar de rumo. “O tema é inédito. Existem várias pesquisas sobre ele, teses de doutorado e dissertações, mas todas voltadas para as áreas de história e ciências sociais, de cunho mais biográfico. Como a minha foi uma pesquisa em estudos literários, mais focada nas letras das canções, então é novidade. No Espírito Santo, é o primeiro trabalho acadêmico sobre Raul”, afirma o autor.

Interesse

E o Novo Aeon tem rendido interesse na rede. “Os fãs estão aprovando. Tem uma repercussão boa na internet, com comunidades sobre o livro”, conta.

Além disso, com o livro, Vitor Cei participa da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, e prepara lançamentos no Rio de Janeiro e em Vitória – tudo no mês de agosto, quando completam-se 21 anos da morte de Raul.

“Eu comecei a ouvir Raul na adolescência, nem era muito ligado em música, mas me interessei pelas letras sempre questionadoras, com crítica social. Isso me motivou a fazer o curso de Filosofia e a fazer um mestrado, porque achava que ele merecia ser mais estudado”, completa.

Leia

Vitor Cei Santos

“Novo Aeon: Raul Seixas no torvelinho de seu tempo”

Multifoco 224 páginas

Preço: R$ 35, em média (na Estante Virtual e na Editora Multifoco)

Fonte: Gazetaonline

Um livro em alto e bom som

“O leitor encontrará no texto de Vitor uma elaborada e intrincada análise de um músico com sua época; de um músico agonístico, engajado na busca de transformar a percepção apostando em métodos por vezes pouco ortodoxos. Assim, o trabalho faz circunvolução em torno de um artista, mas, ao fazer isso, perscruta um país, uma época e um mundo em formação”.

Sérgio da Fonseca Amaral

Universidade Federal do Espírito Santo

***

“Parodiando conhecida canção de Raul, Vitor domina o início, o fim e os meios.  Há método e planejamento, argumentos a mancheias, análises seguras. A objetividade do trajeto ganha correspondência na limpidez da sintaxe.Solidamente apoiado em textos densos, que arrebanham décadas de Brasil e discutem macrotópicos como modernidade e pós-modernidade, razão e ocultismo, indústria cultural e niilismo, para dar a ver a especificidade místico-filosófica do baiano, este livro, não tenho dúvida, representa uma altíssima contribuição para, de imediato, (a) um entendimento mais pleno da obra de Raul; a seguir, (b) o lugar dessa obra e desse sujeito num Brasil recente; e, mais, (c) as relações dessa obra e desse lugar com o panorama mais amplo da cultura mundial”.

Wilberth Salgueiro

Universidade Federal do Espírito Santo

Apresentação

O professor e pesquisador Vitor Cei Santos acaba de lançar a obra Novo Aeon: Raul Seixas no torvelinho de seu tempo, pela Editora Multifoco, com prefácios de Sérgio da Fonseca Amaral e Wilberth Salgueiro, professores do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Espírito Santo.

Resultado da pesquisa de mestrado do autor, a obra aborda a concepção de Novo Aeon apresentada por Raul Seixas em suas músicas. A doutrina do Novo Aeon, elaborada pelo poeta e mago inglês Aleister Crowley no início do século XX, impulsionou trajetórias existenciais degrande força contestatória, influenciando a contracultura das décadas de 1960 e 1970. Seixas, que acompanhou o movimento e propôs uma

Sociedade Alternativa, lançou sua criação poética à condição de espírito do seu tempo.

Por meio de conceitos teóricos, o livro ajuda a compreender a música de Raul Seixas à luz da multiplicidade de problemas que formam a experiência cultural brasileira. O autor, através de sua interpretação e o entrelaçamento de discussões com teóricos fundamentais para a compreensão do tema, apresenta uma análise das questões que animaram as décadas de 1970 e 80: autoritarismo, censura, desbunde, contracultura, ocultismo, indústria cultural, melancolia e niilismo.